Policrise planetária impulsiona humanidade a olhar o futuro
A viagem em torno da Lua pela missão Artemis foi um refresco em todo o noticiário internacial. Logo, as manchetes e destaques das redes sociais voltaram para as guerras – Ucrânia e Irã – em andamento na Terra. Para a economista e socióloga goiana Sabrina Fernandes, residente do Programa Cesar Lattes do Instituto de Estudos Avançados (IdEA), a proposta é tocar corações e mentes a respeito das múltiplas crises do mundo contemporâneo, a chamada “policrise planetária”, tema que permeia sua estadia na Unicamp.
Questões como desordens e catástrofes, conceitos como ecocídio, ativismo digital e o embate entre a linguagem do conhecimento e a linguagem do engajamento jogaram muitos resíduos tóxicos no ventilador do mundo. “As propostas de transição — muitas vezes tratadas como transição ecológica, transição climática ou transição justa — precisam ser melhor integradas para que possamos lidar com várias crises ao mesmo tempo. Em vez de falar apenas em crises múltiplas ou crises simultâneas em diferentes áreas, entendemos que essas crises interagem entre si e acabam piorando umas às outras. Uma solução parcial ou equivocada para um problema pode acabar agravando outro”.
“Quando falamos de policrise planetária, estamos olhando para além da nossa geografia local e entendendo que existe um ecossistema e um metabolismo da natureza que são globais. Não tem como escapar disso”, afirmou a cientista ao Jornal da Unicamp. “Também precisamos rever como pensamos cooperação, solidariedade e responsabilidade, para que não seja apenas com interesses locais ou mais imediatos. As responsabilidades precisam estar atreladas também aos outros povos e países, porque a lógica global predominante é uma lógica de competição”.
Segundo Sabrina Fernandes, “vale a pena olhar para o futuro com um olhar mais carinhoso e apaixonado, porque infelizmente a nossa realidade anda um pouco contrária. Não basta salvar o planeta — o planeta continuará existindo independentemente de nós. O que precisamos salvar é o planeta que permite a nossa vida. O programa que montei começa pelo problema, pelo desafio, e depois tenta costurar possíveis alternativas. O objetivo também deveria ser pensar em como evitar o fim do mundo e como construir uma sociedade melhor a partir disso”.

