Número de famílias com dívidas cresceu neste primeiro semestre de 2026
Amigos e familiares – pessoas bem próximas – estão com as contas em desequilíbrio, quando não em situação de endividamento crescente. Nas conversas mais íntimas, tenho reafirmado um princípio básico de educação financeira – pagar à vista a maioria das contas, controlando o parcelamento e planejando mais para as despesas mais altas. As pessoas alegam que, de repente, tiveram de gastar para além do esperado e que utilizam o crédito por conta dos pontos. Claro que estamos sujeitos a imprevistos e não é todo mundo que tem uma reserva de contingência para amortecer o impacto do inesperado.
Acontece que o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde histórico no primeiro semestre de 2026, com o índice atingindo 80,9% dos lares em abril, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC (Confederação Nacional do Comércio). Os principais motores desse avanço incluem a manutenção de taxas de juros elevadas, a facilidade de uso do cartão de crédito e, mais recentemente, o impacto das apostas online. Banco Central: dados da autoridade monetária mostram que o comprometimento da renda atingiu 49,90% da população adulta, a máxima da série histórica. A proporção de famílias com dívidas em atraso tem oscilado em torno de 29,6%. Apenas cerca de 12% dos lares relatam não ter condições de quitar os atrasos, demonstrando que a maioria consegue manter os pagamentos.
Claro que cada caso é um caso, mas o comportamento tem peso razoável, como mostram bairros em que a infraestrutura precária convive com produtos de alta tecnologia nos lares. Em artigo de Célia de Gouvêa Franco para o Valor Econômico, há a conclusão de que, com a maior facilidade de financiamento, moradores das periferias de grandes cidades “passaram a conviver com o endividamento crônico, usando cartões de crédito e outras formas de empréstimo a prazo para comprar bens como celulares, computadores e aparelhos de televisão. Anteriormente, os padrões de compra de produtos de maior valor eram outros. As famílias juntavam dinheiro, às vezes durante longos períodos, até por anos, para ter o dinheiro suficiente para bancar um determinado bem, num processo conhecido como entesouramento. Também era comum se recorrer aos agiotas”.
Até recentemente, os agiotas eram personagens facilmente identificáveis em Atibaia. Parece que eles foram “substituídos”, só que na cena virtual das telas, pelos estelionatários. Saudade de quando o cofrinho era um recurso de poupança e pagamento à vista de pequenas compras

