Artista plástico Carlo Moreno leva “Arte criativa” em exposição no Centro Cultural André Carneiro

Em cartaz até o dia 25 de julho, exposição autoral nos convida a repensar o que é, de fato, “descartável”.

 

Anna Luiza Calixto

Vivemos em um tempo em que quase tudo parece descartável. Objetos, embalagens, papéis e até mesmo relações, muitas vezes, são substituídos antes que possamos enxergar seu verdadeiro valor. Talvez por isso a arte tenha um papel tão importante: ela nos ensina a rever, repensar e ressignificar.
É exatamente esse convite que a exposição “Arte Criativa”, do artista plástico Carlos Moreno, faz ao público de Atibaia. Em cartaz de 25 de junho a 25 de julho, no Centro Cultural André Carneiro, a mostra reúne obras produzidas, em sua maioria, a partir de materiais reciclados como papel, papelão, jornal e madeira. Aquilo que muitos enxergariam como mero “descarte” ganha novas formas, novos significados e uma nova vida pelas mãos do artista.
Natural de Atibaia, Carlos Moreno, de 64 anos, é professor, artista, designer e servidor público municipal, formado em Artes Visuais pela UniFaat. A exposição apresenta uma síntese de sua trajetória e do trabalho desenvolvido no Espaço das Oficinas (Greca), onde a criatividade se alia à sustentabilidade para dar origem a peças que carregam identidade, memória e expressão artística.
“Acredito que a arte nos ensina que nada está definitivamente pronto ou perdido. Quando transformamos um material descartado em uma obra, também transformamos o nosso olhar sobre o mundo”, resume o artista.
Mais do que uma exposição de esculturas e objetos artísticos, Arte Criativa convida o visitante a percorrer diferentes universos culturais. Um dos principais destaques é a forte inspiração na arte africana: máscaras, esculturas e representações daquilo que Carlos chama carinhosamente de “Mama África” valorizam a riqueza histórica, estética e espiritual de diferentes povos africanos, especialmente das regiões setentrional e subsaariana.
As máscaras expostas fazem referência aos tradicionais elementos utilizados em rituais religiosos e sociais por diversas etnias africanas, enquanto as esculturas unem referências da arte clássica grega à valorização da negritude, criando um diálogo singular entre diferentes matrizes culturais. O resultado é uma coleção de obras que desperta curiosidade, respeito e contemplação.
A exposição também reserva espaço para outras expressões da sensibilidade do artista. As delicadas bonecas Tildas, reinterpretadas por Carlos, transportam o visitante para diferentes épocas e universos inspirados nos contos de fadas, preservando a elegância característica dessas peças decorativas. Igrejas e capelas típicas do interior brasileiro também aparecem entre as obras, homenageando a religiosidade popular e o patrimônio cultural das comunidades rurais.
Embora os temas sejam diversos, existe um elemento que conecta toda a mostra: a capacidade da arte de revelar beleza onde poucos conseguem enxergá-la.Em tempos em que tanto se fala sobre sustentabilidade, reciclagem e consumo consciente, a exposição também desperta uma reflexão importante. Reciclar não é apenas reaproveitar materiais, mas sim desenvolver um novo olhar sobre aquilo que parecia ter perdido sua utilidade. A arte amplia essa perspectiva ao transformar resíduos em expressão, memória e identidade.
A coluna de hoje te convida a valorizar artistas locais e fortalecer a identidade cultural da nossa cidade. Cada exposição movimenta os espaços públicos, aproxima pessoas da produção artística e amplia o acesso à cultura, elemento essencial para uma comunidade mais sensível, crítica e participativa.
Fica aqui o convite aos leitores para conhecerem a exposição “Arte Criativa”, em cartaz até 25 de julho, no Centro Cultural André Carneiro, localizado na Rua José Lucas, nº 28, no Centro de Atibaia. Uma oportunidade de abrir os olhos para a vida cultural da cidade e perceber que, muitas vezes, a arte não transforma apenas materiais que seriam descartados? Ad ela recicla a forma como escolhemos olhar para o mundo.