Atibaia e seus Voluntários de 1932
Nesse cenário de mobilização patriótica, a cidade de Atibaia escreveu sua própria e valorosa página de heroísmo ao enviar mais de 120 homens voluntários para a frente de combate.
Foto ilustrativa intenet
A chama cívica de 9 de julho de 1932 representa, para os paulistas, o clamor inabalável de um povo por democracia, justiça e pelo restabelecimento do Estado de Direito. Há mais de nove décadas, o estado de São Paulo ergueu-se em armas contra o governo provisório de Getúlio Vargas (que assumiu o poder em 1930 após a deposição de Washington Luís), diante da centralização dos poderes no Executivo e da ausência de uma Constituição vigente. Naquele momento histórico, cerca de 35 mil paulistas, entre civis e militares, marcharam voluntariamente para os campos de batalha, desafiando uma severa desvantagem numérica e bélica com extrema bravura.
Embora o conflito de três meses tenha culminado em uma derrota militar para as forças paulistas em outubro de 1932, o movimento consolidou-se como uma retumbante vitória moral e política. O sacrifício dos combatentes, eternizado no sangue dos mártires do M.M.D.C. (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo), exerceu a pressão necessária para a convocação da Assembleia Nacional Constituinte em 1933 e a posterior promulgação da Constituição de 1934. A revolução demonstrou que a construção da democracia exige participação, coragem, sacrifício e uma vigilância cidadã constante para a manutenção das liberdades.
Nesse cenário de mobilização patriótica, a cidade de Atibaia escreveu sua própria e valorosa página de heroísmo ao enviar mais de 120 homens voluntários para a frente de combate. A memória local preserva o emocionante momento em que os jovens voluntários fizeram formatura na Praça Guilherme Gonçalves, acompanhados pela corporação musical “1º de Março”, antes de marcharem até a Praça Claudino Alves sob os aplausos calorosos da multidão. Do coreto, o delegado dr. Sebastião Cesar proferiu um discurso inflamado e, já na estação de trem, o padre Francisco Rodrigues subiu em um dos bancos para dirigir aos moços uma eloquente exortação patriótica ao som do Hino Nacional.
Paralelamente ao esforço militar, a população atibaiana demonstrou desprendimento e união através da campanha “Ouro para o bem de São Paulo”. Sem recursos suficientes para prover o exército paulista, o governo estadual mobilizou as famílias da cidade, que doaram generosamente ouro e joias em troca de certificados nominais de contribuição.
Hoje, o tributo a esses heróis permanece profundamente marcado no tecido urbano e na identidade de Atibaia. Por iniciativa de uma comissão de ex-combatentes durante as celebrações do cinquentenário do movimento em 1982, antigas vias passaram a homenagear os cidadãos que tombaram em combate, o que incluiu rebatizar o tradicional Escadão como Rua Voluntários de 1932. No Cemitério São João Batista, ergue-se em local de destaque o Mausoléu e ossário, sugerido pelo dr. Marcial Ablas Caropreso e doado na época pelo prefeito Takao Ono para guardar dignamente os restos mortais dos constitucionalistas atibaianos.
Lembrar a Revolução Constitucionalista não é apenas celebrar mais um feriado no calendário, mas resgatar a memória de um sacrifício coletivo em prol da salvação nacional. Que o exemplo de coragem cívica daqueles voluntários continue a inspirar as futuras gerações na defesa incessante dos direitos democráticos.


