Santa Casa tem ampliação de leitos e mais especialistas para atendimento
Apesar do município ser responsável por atendimentos de baixa a média complexidade na saúde, por falta de investimentos federal e estadual, acaba assumindo mais responsabilidades, como no caso de Atibaia, a gestão da Santa Casa, com repasses de verbas para que o atendimento à população não seja interrompido. A secretária municipal de Saúde, Daniele Franca de Almeida Borges
Em entrevista ao Jornal O Atibaiense, a secretária municipal de Saúde, Daniele Franca de Almeida Borges, que foi diretora da Santa Casa por pouco mais de um ano, falou sobre os avanços no atendimento do hospital e mudanças que trouxeram mais agilidade e até liberação de leitos.
Apesar do município ser responsável por atendimentos de baixa a média complexidade na saúde, por falta de investimentos federal e estadual, acaba assumindo mais responsabilidades, como no caso de Atibaia, a gestão da Santa Casa, com repasses de verbas para que o atendimento à população não seja interrompido.
“Temos algumas coisas a mais na Santa Casa que minha gestão optou por fazer e a gestão atual optou por manter, que é ter médico vascular. O motivo é que quando tinha paciente que precisava de avaliação de vascular, ficava de duas a três semanas ocupando leito. Optei por contratar um médico vascular., que avalia de forma mais rápida, coloca no sistema CROS mais rápido e consequentemente, libera o leito mais rápido para outro paciente. Teoricamente não seria responsabilidade da Prefeitura, mas optamos por esse especialista para agilizar atendimento”, exemplifica Daniela sobre uma das mudanças implantadas.
A Santa Casa hoje tem médicos clínico geral, emergencista, pediatra, neonatologista, ginecologista/obstetra, cirurgião geral, ortopedista, vascular, oftalmologista e bucomaxilofacial. “O médico vascular, oftalmo e bucomaxilo ficam de sobreaviso e são chamados em casos que precisam de avaliação. Demais especialidades citadas temos profissionais 24 horas por dia atuando”, explica.
Daniele conta que a Santa Casa tem quantidade suficiente de médicos e que até poderia ter mais, mas o espaço físico limitado não permite a instalação de mais consultórios.
Para internação, a Santa Casa tem hoje 96 leitos, sendo 32 de clínica cirúrgica/médica (enfermaria), 8 de apoio à enfermaria, 5 de pré-parto, 12 de ginecologia/obstetrícia, 3 de berçário, 6 de UTI, 10 de pediatria, 2 de emergência infantil, 4 de emergência adulto, 3 de trauma e 1 de isolamento (PSA).
A Santa Casa também realiza exames, dos mais simples, de sangue, aos mais complexos. Há um tomógrafo no hospital, eletrocardiograma, aparelho de ultrassom novo (trocado nesta gestão) e aparelho de Raio-X novo e mais moderno. “O Raio-X trocamos por mais novo. O paciente recebe QR Code e visualiza o exame. O médico visualiza na tela, com mais qualidade de imagem”, conta.
Agora com o período mais propício a síndromes gripais, Daniele conta que a Prefeitura implantou o Gripário, em prédio em frente à Santa Casa, para desafogar o hospital. “Para ter uma ideia, atendemos cerca de 200 pessoas em um dia. Essas 200 pessoas estariam na Santa Casa. O Gripário permitiu que tirássemos pacientes de ficha verde e azul da Santa Casa, ao mesmo tempo que no novo espaço o paciente é medicado, tem orientação, sai com medicação para casa e evita transmitir para outras pessoas”, destaca.
UPA atende menos pacientes do que a capacidade porque população confunde a finalidade de cada equipamento
A UPA Cerejeiras (Unidade de Pronto Atendimento), registra, mensalmente, cerca de 7 mil a 9 mil atendimentos. A capacidade, no entanto, é muito maior: até 12 mil. O motivo, segundo a secretária municipal de Saúde, Daniele Franca de Almeida Borges, é que a população ainda confunde a finalidade de cada equipamento. Em entrevista ao jornal O Atibaiense, a secretária mostra números e fala das melhorias alcançadas na saúde.
Daniele assumiu a saúde em abril de 2026, a convite do prefeito Daniel Martini. Em 2025, no início da atual gestão, ela havia sido convidada para dirigir a Santa Casa, cargo que exerceu até abril deste ano. Médica com especialização em Medicina de Família e Comunidade, já atuou na rede pública em saúde da família, foi preceptora de residência médica e fez MBA em Gestão em Saúde. A experiência em gestão vem do cargo assumido junto ao Bradesco Seguros em Salvador, sendo depois transferida para São Paulo. Daniele gerenciava o atendimento em atenção primária. “Eu já planejava me mudar para o interior de São Paulo, em busca de qualidade de vida. Foi quando Daniel me convidou, em 2025, para assumir a gestão da Santa Casa. E este ano fui convidada para assumir a secretaria”, explica.
Com experiência no dia a dia da Santa Casa, Daniele explica que há muitos casos no pronto-socorro do hospital que poderiam ser tratados na UPA do Cerejeiras ou até mesmo nos postos de saúde. “Casos com quadro crônico podem procurar a unidade de saúde. Se o paciente está com queixa aguda, com poucas horas ou dias, pode procurar a UPA, que é o pronto-atendimento. Se for um problema maior, aí é a Santa Casa. Se paciente procura uma unidade de saúde e a equipe percebe que tem gravidade maior, a própria unidade encaminha para UPA ou Santa Casa, dependendo do caso. A própria UPA encaminha para a Santa Casa quando há gravidade maior. Se precisa de internação ou exames mais completos, a UPA pode encaminhar também direto para o sistema CROS, que é a regulação do Estado e direciona para outras cidades, como o HUSF em Bragança Paulista ou até Campinas. Por exemplo, se o paciente infarta ou tem AVC, normalmente quando vai para o CROS e encaminha para HUSF”, explica.
Ela enfatiza que a UPA tem capacidade de atender toda a complexidade, desde a mais leve ao caso mais grave. “Inclusive pacientes com AVC ou infarto, eles conseguem dar primeiros-socorros antes de encaminhar. A UPA tem todos os eletrocardiogramas laudados por cardiologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Esse especialista dá as orientações do que fazer. É um programa do Ministério da Saúde, o Proade SUS. Na UPA tem essa facilidade”.
“A população procura mais a Santa Casa do que a UPA, mas é importante dizer que ideal é que procure a UPA. A capacidade da UPA é de 12 mil atendimentos ao mês e atendemos de 7 mil a 9 mil. A Santa Casa atende 16 mil pacientes por mês e a capacidade seria de até cerca de 14 mil”, explica a secretária. Boa parte dos casos que lotam a Santa Casa poderiam ser resolvidos na UPA.
“Trabalhamos com classificação de risco, de azul até vermelho, sendo vermelho casos mais graves. De 60% a 70% dos pacientes que procuram a Santa Casa estão com classificação azul ou verde. Deveriam estar na UPA ou até na unidade básica de saúde. O impacto para a população é que esses pacientes ocupam vagas de pessoas com gravidade maior. Lembro muito de um caso emblemático. Eu estava passando pela recepção da Santa Casa e vi uma senhora aguardando atendimento. Ela estava aparentemente grave e ela não sabia. Como sou médica, percebi na hora. E ela estava ali aguardando a triagem porque tinha muita gente na frente dela para a triagem. Na hora passei ela pela triagem e era caso grave, classificação vermelha e precisava passar rápido pelo médico. Mas tinha muita gente azul e verde na frente dela para fazer triagem. Deveriam estar na UPA, não na Santa Casa”, ressalta.
Uma das principais diferenças da UPA para Santa Casa é que na unidade de pronto-atendimento não são feitas cirurgias e não há ortopedista, mas para maioria das queixas, tem toda a capacidade de atendimento com a mesma qualidade da Santa Casa. “A pessoa precisa saber que vai ser bem atendida, será medicada e se precisar realizar um exame, vai conseguir na UPA”.
Outro ponto que Daniele destaca é que os postos de saúde não são pronto-atendimento, eles funcionam com consultas agendadas e vacinação. É para quando o paciente precisa de acompanhamento. Na UPA e Santa Casa vai ser atendido de forma pontual, não terá acompanhamento.
Atibaia vai ganhar posto de saúde no Jardim dos Pinheiros
A secretária de Saúde, Daniele Franca de Almeida Borges, ressaltou que a estrutura da saúde já tem planejamento para ser ampliada.
Uma das novidades é a construção de unidade básica de saúde no Jardim dos Pinheiros. A população daquela região utiliza hoje a unidade do Centro. Com o novo posto, desafoga a região central e aumenta a capacidade de atendimento da rede de atenção primária. A obra já está em andamento.
Outra novidade é que o governo federal já liberou a verba para construção do CAPS 3. Hoje Atibaia tem o CAPS 2, que atende casos de saúde mental. Com o CAPS 3, será possível fazer internação e cuidado de emergência na saúde mental, como surtos psiquiátricos, envenenamento, tentativa de suicídio entre outros. A unidade ficará no Cerejeiras.
Daniele conta que a Prefeitura também está investindo em demanda reprimida. “Teve muita emenda parlamentar esse ano e, com isso, conseguimos fazer mais exames como ultrassonografias, colo-noscopia e endoscopia. Conseguimos dar vazão à demanda reprimida e definir prioridades dentro da fila de regulação”, explica.
“Daniel é um prefeito que prioriza a saúde, investe muito em saúde. Ele nunca pediu redução de custos na saúde, mesmo quando fez ajustes no orçamento. E o governo Tarcísio tem aumentado o valor repassado para municípios, colaborando também para investimentos na saúde”, finaliza.


