Uma breve história de Atibaia – O encontro no veleiro

Compartilhe!

por Renato Zanoni

Enquanto Jerônimo e Marcelino se refugiavam no sertão, na Vila de São Paulo, o irmão deles, José Ortiz de Camargo, não se conformava com a perda do poder. Ortiz viajou para o Rio de Janeiro e lá chegando foi procurar o protetor da família Camargo, o Conde de Castelo Melhor. O Conde recebeu-o e nomeou-o Ouvidor da Capitania Vicentina, cargo superior para agir na Câmara da Vila de São Paulo. Ortiz voltou com a boa-nova e começou a provocar os Pires. Mandou chamar no sertão, Jerônimo e Marcelino, pois a situação dos Camargo era propícia na Vila.
Os Pires exigiram que o documento fosse trazido para a Câmara, ou não dariam validade à nomeação. Castelo Melhor, sendo avisado, deveria vir provar e apaziguar a situação. Só em meados de 1654 é que o Conde chegou, cansado da viagem descansou por vários dias, sem dar atenção devida. Por fim, reunidos no Paço, tendo os Camargo, arma em punho registraram-se os documentos.
Mas a sorte não abandonara os Pires.
Castelo Melhor que apadrinhava os Camargo, perdeu o cargo em favor do Conde de Atouguia. Para a alegria dos Pires, Atouguia nomeou Ouvidor da Capitania a Miguel de Vasconcelos, amigo dos Pires. Ortiz reiniciou as provocações. A situação de Jerônimo de Camargo tornou-se novamente crítica na Vila.
Depois de uma reunião da família Pires, na casa da Matrona, Francisco Nunes Siqueira que era casado com Ana Pires, acudiu o conselho e o plano da Matrona para aniquilar os Camargo.
Estando a Vila sob controle dos Pires, queriam eles a paz. Francisco deveria ir para Salvador, na Bahia, apelar pela paz ao Vice-Rei do Brasil. Os Pires queriam de fato a paz, mas não cederiam suas conquistas de mando.
Francisco juntou documentos contra os Camargo e partiu para Santos, onde tomaria o próximo veleiro. Da família Pires saiu mexericos que chegaram aos ouvidos dos Camargo. Ortiz de Camargo juntou alguns documentos que incriminava os Pires e apressadamente, partiu pela Serra do Mar abaixo.
Estando ainda o veleiro ancorado, Ortiz ao galgar o convés, deparou com Nunes de Siqueira, que levava vasta bagagem, ali hirto de raiva. O navio levantou ferros para iniciar a longa viagem.

Deixe uma resposta