Atibaia paga 84% das despesas com saúde e governos Estadual e Federal contribuiem apenas com 16%

Estado e União deveriam colaborar com repasses maiores, especialmente para atendimentos especializados e de alta complexidade.

 

 

 

O Atibaiense – Da redação

Os municípios são responsáveis por garantir à população a atenção básica em saúde. Isso significa que deve oferecer atendimento nas unidades básicas, mais conhecidas como postos de saúde. Média e alta complexidade, como atendimento de um pronto-socorro, cirurgias e internações, são de responsabilidade dos estados e do governo federal. Na prática, no entanto, o município se responsabiliza por mais que sua obrigação. No caso de Atibaia, mais de 84% dos custos com saúde acabam recaindo sobre a Prefeitura.
Em audiência pública da saúde para apresentação dos dados do 3º quadrimestre de 2025, realizada nesta quinta-feira, dia 26, na Câmara Municipal, a Secretaria de Saúde apresentou informações relacionadas ao orçamento do setor e total de atendimentos.
Em 2025, as despesas com saúde em Atibaia chegaram a R$ 254,9 milhões. Desse total, 84,3% foram custeados pela Prefeitura, o que corresponde a R$ 210,6 milhões. O governo federal custeou 11%, ou R$ 27,3 milhões e o Estado apenas 4,4%, ou R$ 11 milhões.
Pela Constituição, Atibaia deveria destinar à saúde 15% de seu orçamento, o que seria o equivalente a R$ 123,2 milhões em 2025. O total chegou a 25%.
Boa parte dos custos está na atenção primária, que ficou com R$ 123,3 milhões (48,3%), mas para a média e alta complexidade foram R$ 115 milhões, ou 45,1%. Isso inclui os repasses para a Santa Casa.
Outro desafio enfrentado pela saúde e apresentado na audiência pública é o total de faltas de pacientes em consultas e exames. Ainda é alto o total de absenteísmo e campanhas de conscientização já começaram.
Em 2025 foram computadas 169.016 consultas médicas na atenção básica, 67.180 consultas com a equipe de enfermagem, 30.730 consultas com dentistas, 3.285 no Centro de especialidades odontológicas e 26.503 consultas com profissionais como psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, fonoaudiólogos e educadores físicos.
O total de faltas em consultas na atenção básica chegou a 30.289 no ano. Com os médicos foi de 15,8% dos agendamentos; com dentistas, de 21,9%; enfermeiros, de 16%; com outros profissionais de ensino superior de 23,6%; de nutricionistas, de 40%; com psicólogos, 22,8% e farmacêuticos, 38%. Em média, 25,4% dos pacientes que agendaram consultas com algum profissional da rede faltaram no dia da consulta, tirando a vaga de outra pessoa que está à espera de atendimento.
Também chamam a atenção as faltas em atendimentos no Casamar, que é o Centro de Atenção à Saúde da Mulher. Nos agendamentos de ultrassonografia obstétrica e transvaginal as faltas das pacientes chegaram a 17,4% no último quadrimestre de 2025. Nas consultas com ginecologista, foram de 11,4%. Pelo Banco de Leite Humano o total de faltas em consultas chegou a 19%.
No Centro Especializado em Reabilitação 21% dos pacientes agendados faltaram. Esse é um dado preocupante porque o trabalho de reabilitação ocorre em um período específico da recuperação do paciente, prejudicando a reabilitação.
Outros dados apresentados mostram que o serviço de transporte sanitário realizou 10.851 viagens em 2025, com transporte de 43.672 pacientes e acompanhantes. No atendimento farmacêutico foram realizadas 2.212 consultas e dispensados 615.701 medicamentos.
A rede municipal realizou no ano passado 736.438 exames laboratoriais. O total de visitas domiciliares dos Agentes Comunitários da Saúde foi de 53.338 no ano e a Academia da Saúde fez 2.491 atendimentos e procedimentos. As consultas especializadas chegaram a 33.327. o SAMU fez 14.770 atendimentos em 2025.
Na Santa Casa, foram 173.693 atendimentos no pronto-socorro e 4.798 internações. A UPA Cerejeiras realizou 96.377 atendimentos no ano.