Supercentenários mantêm bem-estar mesmo sem acesso à saúde pública
Luiz Gonzaga Neto
Os supercentenários representam amostra única da longevidade humana, sendo caracterizados por perfis imunológicos, genéticos e metabólicos resilientes contra o declínio associado ao envelhecimento. São essas propriedades que os autores de estudo da USP, citado aqui nesta coluna recentemente, acreditam fundamentar estratégias para maior expectativa de vida. No Brasil, são mais de 37 mil pessoas com 100 anos ou mais, segundo o Censo de 2022, o que faz do País um potencial centro de pesquisa para entender a longevidade humana. Ainda assim, a maioria dos bancos de dados carece de amostras genéticas de populações miscigenadas, como a da população brasileira.
Sendo o Brasil o lugar de maior diversidade genética do mundo — resultado da mistura de diferentes povos, entre eles os europeus, os africanos e os indígenas —, os pesquisadores estão interessados em investigar essa lacuna. Como explica Mateus Vidigal, primeiro autor do estudo, “a literatura científica atual foca na população caucasiana. Alguns genes e variantes se replicam na nossa população, outros não, e novas variantes devem ser catalogadas por conta da miscigenação, que não foram vistas até então porque levavam em consideração uma população mais homogênea”.
Em relação à população europeia, os brasileiros parecem mais vulneráveis, sem o mesmo acesso à saúde e a melhores condições socioeconômicas. Por outro lado, têm indivíduos no Brasil que passam dos 100 anos e mantêm o bem-estar mesmo sem acesso à saúde. A explicação para essa resistência estaria na genética. Na visão de João Paulo Limongi França Guilherme, coautor do artigo, o estudo da população centenária miscigenada será algo extremamente valioso “para criar diretrizes e novas intervenções visando não só ao envelhecimento, mas ao envelhecimento com saúde”. Pesquisador no Genoma USP, ele adiciona que a equipe pretende coletar mais amostras por mais cinco anos, e que recrutam pessoas acima dos 95 anos. Viva!
* Luiz Gonzaga Neto é jornalista, analista em comunicação da Câmara de Atibaia e blogueiro, autor de brincantedeletras.wordpress.com. Esta coluna pode ser lida também no site do jornal O Atibaiense – www.oatibaiense.com.br.

