O que um lenço umedecido pode impactar para toda uma cidade?
Pequenos hábitos geram transformações na operação e nos custos do sistema de esgotamento sanitário.
O descarte de lenços umedecidos, panos, absorventes, cotonetes, plásticos e óleo de cozinha na rede de esgoto causa obstruções, compromete o funcionamento das Estações Elevatórias de Esgoto (EEE)e exige intervenções que elevam os custos de manutenção de um serviço essencial para a cidade. Além do impacto financeiro, esses resíduos aumentam o risco de extravasamentos e prejudicam a eficiência de toda a infraestrutura.
Os reflexos desse comportamento ganham ainda mais importância diante dos desafios do saneamento brasileiro. A edição 2026 do Ranking ABES da Universalização do Saneamento aponta que apenas 3,67% dos municípios avaliados estão próximos de alcançar a universalização dos serviços, enquanto o esgotamento sanitário permanece como um dos principais desafios do setor. O levantamento reforça que preservar as redes existentes é tão importante quanto ampliar a cobertura, pois falhas operacionais e gastos evitáveis reduzem a eficiência dos investimentos.
“Muita gente não pensa no saneamento no dia a dia, mas ele faz diferença para toda a cidade. Quando cada um descarta o lixo da forma certa, ajuda a evitar problemas na rede de esgoto e contribui para um lugar melhor para todos”, afirma Natthan De Oliveira Santos, de 17 anos, morador do bairro Chácaras Fernão Dias.
Na rotina do sistema, materiais que não se dissolvem na água,acumulam-se nas tubulações e impedem a passagem do esgoto. O óleo de cozinha também agrava esse cenário ao formar placas de gordura na rede.
Um estudo publicado em 2025 na revista científica WaterResearch analisou como resíduos descartados de forma incorreta contribuem para a formação dos chamados “fatbergs”, grandes acúmulos de gordura, óleo e outros materiais nas tubulações. A pesquisa identificou que lenços umedecidos possuem fibras capazes de prender partículas presentes no esgoto, favorecendo a formação de depósitos mais resistentes. Segundo os cientistas, esses bloqueios exigem maior capacidade de bombeamento para serem removidos, aumentando o consumo energético e a complexidade das operações de manutenção dos sistemas de esgotamento.
“A eficiência de um sistema de esgotamento sanitário depende de uma série de fatores, desde a tecnologia aplicada até os cuidados adotados no dia a dia pela população. Quando evitamos descartes inadequados, reduzimos ocorrências emergenciais e conseguimos direcionar equipes e recursos para ações que fortalecem a operação e a melhoria contínua do serviço”,conclui Mateus Banaco, diretor-geral da Atibaia Saneamento.


