Prêmio Estrelas do Diálogo destaca o amor fraterno entre tradições religiosas
Luiz Gonzaga Neto
O jornalista Lourival Sant’Anna (CNN Brasil e Estadão) recebeu o prêmio Estrelas do Diálogo, na categoria Jornalismo, do Instituto pelo Diálogo Intercultural, e destacou a união e o amor fraterno entre diferentes tradições religiosas, ponto alto da civilidade internacional. “A cerimônia foi emocionante. Todas as tradições estavam representadas: afrobrasileiras, muçulmanas e cristãs de todas as correntes, judaica e pessoas sem religião. Para mim, que passei a vida cobrindo guerras causadas por políticos que manipulam essas diferenças, ver essas pessoas celebrar juntas o amor fraterno é enternecedor”.
Olhando para a política, do local ao mundial, o líder humanitário Sri Prem Baba explicou recentemente em detalhes como a polarização dos tempos atuais mostra uma questão delicada da humanidade: a ausência de autorresponsabilidade na construção da realidade que queremos viver. “O impulso de endeusar ou demonizar pessoas revela muito sobre o estágio de consciência de uma sociedade. E um dos sinais mais claros de imaturidade é a necessidade de dividir o mundo entre deuses e demônios. O ego imaturo cria narrativas fáceis de consumir: alguém que irá nos salvar e alguém que precisa ser combatido. Assim, o mundo parece mais organizado, mas essa simplificação tem um preço alto”.
Segundo o líder, “esse fenômeno se intensifica ainda mais em anos eleitorais. A política passa a funcionar como um grande espelho das projeções humanas. Líderes são transformados em salvadores ou inimigos absolutos. O debate deixa de girar em torno de ideias e passa a girar em torno de identidades. A polarização deixa de ser apenas política e passa a ser emocional. No núcleo desse comportamento mora um mesmo desequilíbrio: a ausência de autorresponsabilidade. Enquanto ainda não nos colocamos como protagonistas da nossa própria vida, sentimos a necessidade de encontrar responsáveis externos pelo que acontece, seja bom ou ruim. É assim que nascem as fantasias. Se algo vai bem, aparece o salvador. Se algo vai mal, surge o culpado”.
Voltando ao prêmio citado no primeiro parágrafo desta coluna, o objetivo é reconhecer anualmente personalidades brasileiras que se destacam no fomento ao diálogo, pluralismo, paz, compreensão mútua, empatia e convivência harmônica entre diferentes culturas, religiões e ideologias.

