Sistema Cantareira passa dos 43% de armazenamento e entra em faixa de atenção

Em 20 de março do ano passado o Cantareira operava com 58,8% da capacidade. Com a necessidade de cautela, o Governo de São Paulo optou por manter a pressão reduzida na área atendida (Região Metropolitana) no período noturno. Foto reprodução.

 

 

O Atibaiense – da Redação

As chuvas de março estão colaborando com a recuperação do Sistema Cantareira e com a vazão de água no Rio Atibaia. Na sexta-feira, dia 20, o volume alcançou 43,4%. Dois dias antes estava 1% abaixo desse valor (42,4%). Apesar da melhoria, a partir de abril começa o período mais seco e o volume requer atenção para não faltar água nos próximos meses.
O monitoramento dos mananciais da Sabesp mostra que em março tem ocorrido uma recuperação das represas do Sistema Cantareira. Em 1º de março o volume estava em 36%. No dia 20 chegou a 43,4%.
As chuvas de verão têm colaborado com a recuperação de 2026. Em janeiro deste ano o Sistema estava na faixa 4, de restrição, quando a Sabesp pode retirar até 23m3/s. Agora em março foi estipulada a faixa 3, de Alerta, porque é sempre considerado o volume do fim do mês anterior. Se continuar em recuperação até o último dia do mês, pode haver mais uma mudança, para a faixa 2, que é de Atenção (quando está acima de 40%). Nessa faixa, o limite de retirada chega a 31m3/s.
Apesar da melhora, o nível ainda está bem abaixo do apresentado em 2025. Em 20 de março do ano passado o Cantareira operava com 58,8% da capacidade. Com a necessidade de cautela, o Governo de São Paulo optou por manter a pressão reduzida na área atendida (Região Metropolitana) no período noturno. Objetivo é colaborar para que o Sistema se recupere mais rápido.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) é que determinam em qual faixa o sistema vai operar a cada mês, conforme o que estabelece a Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017.
Atibaia também tem enfrentado desafios com relação ao abastecimento de água e o Sistema Cantareira pode afetar o que acontece na cidade, já que a principal captação está no rio Atibaia, que recebe vazão do Sistema Cantareira. Se há restrição no Cantareira, pode cair o nível do rio, afetando as bombas. Ainda não chegamos nessa situação, mas com o período seco chegando, autoridades se mantêm em alerta.
Mesmo com as chuvas mais frequentes é preciso que a população mantenha hábitos de economia de água, até porque nem toda chuva chega aonde precisa. Para recuperação de mananciais é preciso chover no lugar certo. Em Atibaia também. Para abastecer a ETA Cerejeiras é preciso ter água na captação do córrego do Onofre. E para o Onofre manter o nível adequado, é preciso que as chuvas caiam sobre sua nascente.
Segundo meteorolo-gistas do Climatempo, quando chove, parte da precipitação infiltra no solo, uma parte evapora e apenas uma fração escoa para os rios e para reservatórios.
Há também o fato de que o escoamento demora alguns dias para refletir em um aumento de volume de armazenamento. Para o sistema se recuperar é preciso chover no lugar certo de forma frequente e persistente. Isso porque o sistema continua liberando água, então o que entra nem sempre supre tudo que está saindo.
A previsão do tempo é de chuvas até o fim de março e ocorrências também em abril, mas não há expectativa de chuvas suficientes para uma recuperação do Cantareira a partir de maio.