Dia da Mulher precisa ser uma convocação por mais consciência
O Dia Internacional da Mulher carrega a memória de lutas históricas por direitos básicos, entre eles, melhores condições de trabalho, ao voto e à igualdade. Desde os protestos de 1908 que impulsionaram a luta das mulheres, há conquistas a serem celebradas neste 8 de março. Existe, porém, no cenário atual, uma forte preocupação com a escalada da violência contra a mulher.
Os números seguem alarmantes. Casos de agressões físicas, psicológicas e patrimoniais estão cada vez mais presentes no noticiário. A Lei Maria da Penha representou um avanço no enfrentamento à violência doméstica, mas sua eficácia depende de aplicação rigorosa, estrutura adequada e, principalmente, mudança cultural.
Não se trata apenas de endurecer penas, mas de fortalecer políticas públicas, ampliar a rede de proteção, investir em educação e promover autonomia econômica.
Dados divulgados no final de fevereiro no portal da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP) mostram que o número de vítimas de feminicídio no estado de São Paulo aumentou em janeiro deste ano, em relação ao mesmo período de 2025. Foram 27 mulheres assassinadas no mês, cinco vítimas a mais do que o número registrado em janeiro do ano anterior.
Durante todo o ano passado,o Estado registrou o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, em 2018. As vítimas chegaram a 270, o que representa um aumento de 6,7% em relação a 2024, quando o número chegou a 253. Os dados estão disponíveis no site da Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP).
O Brasil atingiu número recorde de 1.518 vítimas de feminicídios em 2025, segundo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o que representa quatro mortes por dia. No ano anterior, em 2024, o país já havia atingido recorde, com 1.458 vítimas.
Outro crime hediondo cometido contra as mulheres é o estupro. Caso de estupro coletivo denunciado recentemente no Rio de Janeiro reacendeu a necessidade de debate sério sobre as penas e proteção das vítimas.
O percentual de mulheres que declararam ter medo de sofrer um estupro cresceu em uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva. Em 2020, 78% das mulheres ouvidas pelos pesquisadores disseram ter “muito medo de ser vítimas de um estupro”. Esse percentual cresceu para 80%, em 2022, e chegou a 82% segundo os dados obtidos em 2025.
É preciso admitir que as ações de combate estão mais eficientes. Segundo o Governo do Estado, a atuação das polícias Civil e Militar de São Paulo resultou na prisão de 18,5 mil agressores por violência doméstica em 2025. A quantidade é 31,2% maior na comparação com o ano anterior, quando 14,1 mil autores foram detidos.
Em Atibaia também houve ampliação da rede de apoio. Cidade conta com o programa Guardiã Maria da Penha, envolvendo a Guarda Civil Municipal; existe espaço da Prefeitura para atendimento de vítimas de violência; campanhas educativas e de conscientização das mulheres sobre violênciae também atendimento especializado na delegacia. Em breve, cidade receberá uma Delegacia da Mulher, ampliando a rede de apoio e segurança para as vítimas.
Mas é preciso mais. Cabe ao poder público garantir segurança e acolhimento; às instituições, assegurar ambientes livres de assédio; à imprensa, informar com responsabilidade; e à sociedade, romper o ciclo do silêncio. O Dia Internacional da Mulher é essencial para que possamos reconhecer conquistas e assumir compromissos


