Doações podem aumentar de forma mais técnica e profissional

Em um país com a riqueza e as desigualdades do Brasil, não podemos subestimar a relevância de evidências científicas sobre solidariedade e filantropia. Buscando compreender as particularidades locais e seus efeitos na ajuda a quem precisa, o relatório da pesquisa “Retrato da Solidariedade: o Comportamento Pró-Social no Brasil” traz avanços. Segundo o trabalho, o estudo do comportamento solidário no Brasil se destaca como campo de investigação crucial e ainda pouco explorado academicamente. Entender por que seres humanos agem de forma solidária e, igualmente importante, por que muitas vezes não agem, é fundamental para promover essa fonte de bem-estar, de forma mais técnica e profissional.
O retrato dos doadores no país apresenta marcadores sociais como renda, raça, gênero e valores, exigindo abordagem rigorosa. Ao colocar o comportamento pró-social no centro da investigação, observam-se não apenas as doações monetárias, mas os comportamentos que geram bem-estar a outras pessoas, como engajamento em voluntariado, contribuições com organizações, doações de bens, e até sangue ou órgãos.
A iniciativa pretende ser referência para o ecossistema de organizações do terceiro setor, com especial atenção à doação de dinheiro para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), ao perfil detalhado das pessoas doadoras no Brasil, às causas que mais mobilizam a população, à análise de valores doados e frequência de doação, à preferência por meio de pagamentos, à indicação dos canais mais eficientes para acessar doadores.
A pesquisa foi feita em dezembro de 2023 por meio de entrevistas presenciais (face a face) em domicílios das cinco regiões do país, com 2.545 pessoas, inspirando-se em projetos internacionais renomados como o Philanthropy Panel Study (PPS), dos Estados Unidos, e o Giving in the Netherlands Panel Survey (GINPS), realizado na Holanda.