Uma luta encarniçada com os sites públicos

Neste período de pandemia, aprendi e desaprendi coisas ligadas à internet. Minha dedicação foi no sentido de praticar ao máximo o isolamento social, mesmo contra a descrença e a irresponsabilidade de parte da sociedade. Fiz compras de supermercado e de outros fornecedores utilizando telefone, e-mail e Whatsapp. Para mim, o comércio mostrou boa adaptação ao momento, nesses contatos virtuais. Já bancos e outras instituições foram “mais ou menos”. E “mais” para menos.
No campo das concessionárias, a Elektro não passou no teste. Tentei obter a segunda via de uma conta atrasada por todos os meios – e-mail, telefone, Whatsapp, chat. Nada. Como tenho duas contas no meu nome, pode ser que o sistema da empresa tenha travado. Uma das contas é débito automático. Beleza, sem problema. A outra é no boleto. O drama começa aí. Chega o aviso de atraso, mas não o novo boleto.
O site me barra pelo cadastro e senha. O 0800 manda para o site. O Whatsapp fecha o cerco. Só me resta ir ao escritório da concessionária, que fica na avenida São João, Atibaia. Mas é tudo o que não gostaria de fazer. Não sei se esse escritório está seguindo os critérios sanitários no combate ao coronavírus. E mais: caminhão da concessionária cortou galhos da árvore em frente de casa, mas o recolhimento do material não ocorreu, passados 20 dias. Desesperador.
No banco Mercantil, onde passei a receber a aposentadoria, não consegui operar a conta por internet sem antes ir pessoalmente à agência, que fica no centro. Tentei várias vezes fazer o cadastro virtualmente e não adiantou. Sei que essa dificuldade está relacionada à segurança dos sites contra os avanços de hackers. Mas é duro não contar com um telefone que seja para reclamar e provar que “você é você mesmo”. No site do banco, o chat também não funciona, tem respostas padronizadas. E onde fica, na nuvem, o suporte técnico?
Minha maior decepção na internet foi com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Tentando resolver o pagamento de honorários, recorri ao Cejusc (instância de intermediação de conflitos) e, nesse período, a parte contrária recorreu ao caminho processual. Acreditei que, como cidadão, poderia fazer a minha defesa eletronicamente. É o chamado peticionamento eletrônico. Até adquiri um plano de assinatura eletrônica na Associação Comercial. Cheguei a entrar no site do TJSP para me credenciar, mas a porta “bateu na minha cara”, porque esse caminho é exclusividade dos advogados, me confirmou a Ouvidoria do tribunal.
Enfim, gente, contei aqui alguns dos percalços virtuais que sofri neste ano da Graça de 2020.