Uma breve história de Atibaia – O incidente na escuna

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por Renato Zanoni

Os Camargo haviam cercado a Chácara dos Pires. Diante da Matrona com o Crucifixo na mão, por instantes os invasores exitaram. Destemidos João Ortiz de Camargo e os irmãos da falecida Leonor, Estevam Cabral de Távora e Francisco Cabral, se adiantaram pelo terreiro exigindo a entrega do uxoricida.
A Matrona foi ao encontro dos exaltados, ardilosa, sabia que a sua presença com o Crucificado, abateria os ânimos do grupo de vingadores. Ali, ela jurou que entregaria o filho à justiça. Calmos, mas determinados, aguardariam a promessa dela e voltaram para a Vila. Avisada a polícia esperou-se os novos acontecimentos.
Perante as autoridades, Alberto Pires, confessou o crime acrescentando que trouxera o cadáver do infeliz da família Pedroso, só para armar a situação. Condenado, seria executado em Salvador. Por mais que a família Pires se empenhasse não conseguiram inocentar Alberto. Quando a justiça conduziu Alberto para Santos onde embarcaria numa escuna para velejar até Rio, a Matrona e os seus, partiram por terra tentando chegar ao Rio antes da embarcação. Tinham na cidade amizades poderosas.
Açoitando as mulas à toda brida, não conseguiram salvar o prisioneiro. Quando a escuna perlongava a Ilha Grande, um indivíduo desconhecido atou uma pedra no pescoço do prisioneiro e o atirou ao mar. A escuna regressou a Santos com essa incrível notícia. A Matrona voltou amarga e feroz, com seus cavaleiros. Depois do fatídico incidente da escuna as duas famílias voltaram à luta. Por qualquer motivo pegavam armas. Havia em todas as madrugadas os tiroteios e quando amanhecia se encontrava um cadáver de simpatizante de uma das famílias.
Nesse tempo de conflitos foram nomeados Juízes Ordinários, Domingos Barbosa Calheiros e Jerônimo de Camargo. Essa Câmara procedeu tantas irregularidades que os Pires recorreram ao Ouvidor Geral do Rio de Janeiro. Nem o tropel das alimárias dos Pires, tinha galgado a Serra do Mar em busca do Vale do Paraíba e a Matrona planejava vinganças acirrando seu filhos e genros.
Inês Monteiro não molhava travesseiros de lágrimas, preferia a luta.

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