Atibaia lança “Pronto ou não, lá vou eu!”, cartilha da escritora Anna Luiza sobre trabalho infantil

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O lançamento acontece em parceria com o Espaço Crescer, através de iniciativa do PETI do município.

A Estação Atibaia, nesta quarta-feira (12), recebeu as cores de dezenas de cataventos cuja figura representa o Dia Mundial da Luta contra o Trabalho Infantil, celebrado na cidade de Atibaia com o lançamento da Cartilha Pronto ou não, lá vou eu! da escritora e palestrante Anna Luiza Calixto, através de parceria com a entidade social Espaço Crescer, contemplada pelo chamamento público do PETI (Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil) da cidade, através do qual executa há quase dois meses o Projeto Catavento.
A Cartilha se apresenta como um livro infantojuvenil de orientação e combate ao trabalho infantil, violência que impacta a vida de 2,7 milhões de crianças e adolescentes brasileiros (PNAD 2015). Através da voz de uma criança, o livro traz uma narrativa de conscientização sobre as piores formas da atividade laboral precoce, seus riscos e prejuízos; bem como o papel da mobilização social na denúncia e dos órgãos da rede protetiva capazes de intervir e interromper o ciclo de violações de direitos provocadas pelo trabalho infantil.
O lançamento foi iniciado através da exibição das intervenções do Projeto Catavento em escolas de territórios vulneráveis do município – para as quais a Cartilha será levada para intervenções locais –, levando o debate sobre o trabalho infantil e as formas de combatê-lo para os meninos e meninas atibaienses. Parte destas crianças e adolescentes atendidos pelo Projeto, foram responsáveis pela apresentação cultural do evento, levando à palco o que aprenderam nas Oficinas de Hip Hop, com dança e ritmo.
Durante a abertura oficial, o poder executivo e legislativo ali representados pelo vice-prefeito Emil Ono, a secretária de ação e desenvolvimento social Magali Basile, bem como o vereador Marcão do Itapetinga, expuseram sua admiração e respeito pelo trabalho desenvolvido pela entidade social Espaço Crescer, ali representada por sua coordenadora, Cecília Hernandes, atendendo às crianças e adolescentes do município com atividades diversas – o que vem de encontro à prevenção de inúmeras violências, levando-os para além dos territórios de risco ao seu desenvolvimento saudável. Mara de Castro Valente, presidente do CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) e representante do PETI Municipal, falou a respeito da necessidade da intersetorialidade e do olhar atento sobre cada uma das violências que violam as crianças do Brasil.
“Ao lutar contra o trabalho infantil, lutamos também contra um discurso de ódio e uma cultura adultocêntricaque não compreende a real importância da prioridade absoluta que devemos à infância brasileira como forma de reestabelecer os seus direitos, violados historicamente. A Cartilha vem como uma poderosa ferramenta para trazer nossos meninos e meninas para a luta, para a denúncia e, principalmente, para o reconhecimento à necessidade da proteção aos seus direitos elementares, como o direito a ser criança em plenitude” – compartilhou a autora da cartilha, Anna Luiza, em sua palestra de abertura, na qual também deu destaque aos números alarmantes do trabalho infantil no estado de São Paulo, que explora cerca de 405 mil crianças e adolescentes, segundo levantamento do FNPETI.
Anna Luiza, além de autora da Cartilha e de outros quatro livros na área do direito da criança e do adolescente, representa o estado de São Paulo no CONAPETI (Comitê Nacional de Adolescentes pela Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil), fundando o mesmo Comitê a nível estadual e regional. Colunista do Jornal O Atibaiense, a jovem também escreve para o Portal de Jornalismo e Mobilização Rede Peteca, com a sessão própria Quem tem boca vai à luta. A autora tem trabalho de destaque na cidade e em treze estados brasileiros, através da ferramenta de cidadania itinerante que fundou, o Projeto Os Cinco Passos, com o qual atendeu a mais de 300 mil estudantes da rede pública de ensino – caminho que iniciou na cidade de Atibia, que chama de lar da sua participação.
“O dia 12 de junho representou mais do que um dia de mobilização da rede protetiva de Atibaia. Para além do lançamento da Cartilha, da oficina promovida pelo Canal Futura e da palestra reflexiva e comovente da autora Anna Luiza Calixto, militante há vários anos do combate ao trabalho infantil, mais de duzentas crianças das escolas atendidas pelo Projeto Catavento – realizado pelo Espaço Crescer –, puderam vivenciar o direito à infância, brincando e se exercitando através de praticas esportivas, além de desfrutando de um dia lindo em um espaço privilegiado que é a Estação Atibaia!” – conta Cecília Hernandes, coordenadora do Espaço Crescer e responsável pelo Projeto Catavento.
Após a exposição da autora, o Canal Futura – através do Projeto Pedra, Papel e Tesoura – realizou uma oficina de formação à rede protetiva local, durante quatro horas de debate, reflexão e de troca de experiências exitosas no cuidado com crianças e adolescentes, através de diferentes dinâmicas e da escuta dos representantes do sistema de garantia de direitos de Atibaia, ali representado pelo conselho tutelar, CMDCA, CRAS e CREAS, bem como educadoras e membros das organizações da sociedade civil (OSC).
Além de um dia para reflexão e enfrentamento, o 12 de junho também merece celebração aos direitos protegidos de crianças e adolescentes a salvo do trabalho infantil. Para tanto, a Estação recebeu – no período da tarde – mais de duzentas crianças das escolas atendidas pelo Projeto Catavento, para um dia de brincar. Cama elástica, corrida maluca, air soccer, balões dobráveis e até torta na cara – sem mencionar as visitas aos vagões de trem estacionados no campo que sediou a festa. Para os pequenos que corriam de um lado para o outro, a organização do evento providenciou cachorro quente, bolo de chocolate e refrigerante, para que a diversão fosse completa.
Não proteger a infância é condenar o futuro – este é o lema da Campanha Anual pela Erradicação ao Trabalho Infantil. O dia 12 de junho da cidade de Atibaia foi marcado pela mobilização social e governamental pelo olhar sensível à causa, pelo cuidado com nossos meninos e meninas brasileiros. A Cartilha Pronto ou não, lá vou eu!traz a discussão para aquelas crianças que, mesmo não estando prontas, são exploradas no perverso mundo do trabalho infantil. Combater este vilão – como é citado no livro – é uma responsabilidade coletiva e social. Porque toda criança é nossa criança.

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