Crítico de arte, tchutchuca ou tigrão?

Compartilhe!

Estava me preparando para escrever aqui sobre minha vontade de ser crítico de arte ou curador – aquelas pretensões que nos atacam na adolescência e depois arrefecem na “envelhescência”, quando me deparei com matéria no Estadão sobre a audiência do ministro da Economia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
A impressão foi de que a audiência deu ares de baile funk ao Parlamento brasiliense. Como nos confrontos entre lado A e lado B das festas cariocas, lembrando também o disco de vinil, o economista precisou da maleabilidade de uma bailarina do Chacrinha (“quem não se comunica se trumbica”) para fugir aos ataques da oposição.
Um dos deputados foi direto ao assunto: disse que o economista era tigrão só com aposentados, com professores e com agricultores, enquanto se portava como tchutchuca com os mais privilegiados. Como é que é o negócio? O barraco desceu e o ministro retrucou em clima de palavrão. O baile todo da audiência teve de ser encerrado, graças à turma do “deixa disso”. A imprensa explicou, como no post de Gustavo Foster: as expressões remetem à explosão do funk carioca na transição entre os anos 90 e os 2000.
A palavra “tchutchuca” seria uma maneira de chamar carinhosamente uma mulher (vejam só!) na cultura popular ou popularesca. Outras palavras usadas pela banda, como “cachorra”, “preparada”, “popozuda” e “glamourosa” também acabaram entrando no vocabulário dos brasileiros. Tigrão vem do nome do grupo, que ainda existe ou resiste.
A dúvida é se isso é realmente cultura? E outra pergunta: como a imprensa deve ser comportar diante desse tipo de gíria, do palavrão e da falta de educação perante autoridades? O senso crítico é importante; a contextualização, com o detalhamento dos significados, também. No mais, não podemos ser elitistas, meu caro leitor, minha cara leitora. Mesmo que eu prefira voltar, rapidinho, ao livro do meu crítico de arte favorito, Olívio Tavares de Araújo. Kkk…

Deixe uma resposta